A IA entrou na pesquisa, nos anúncios e nas lojas: o que muda para as PME
Google mede a visibilidade em respostas de IA, ChatGPT ganha anúncios, os GPTs acabam em Dezembro e o Amália entra na segunda fase. O que uma PME portuguesa deve fazer no site até ao fim do ano.

Setembro de 2026 foi o mês em que a inteligência artificial deixou de ser uma janela de conversa à parte e passou a viver dentro das ferramentas que já usamos para vender: a pesquisa do Google, os anúncios, o gestor de clientes e as plataformas de sites. Para uma PME portuguesa, isto muda três coisas: onde os clientes encontram o negócio, o que o site tem de ter para ser encontrado e de que plataformas se pode depender. Este artigo resume as cinco notícias que importam e termina com uma lista de acções concretas.
1. O Google começou a medir como os produtos aparecem nas respostas de IA
O relatório AI performance insights do Google Merchant Center passou a mostrar como os produtos de uma loja aparecem no Modo IA da pesquisa, nas AI Overviews e na aplicação Gemini. A 9 de Setembro ganhou três secções novas: a intenção das pesquisas feitas à IA, os termos mais usados nessas pesquisas e os atributos em falta nas fichas de produto. A 16 de Setembro o relatório ficou disponível em cinco países: Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia e Estados Unidos.
Portugal ainda não está na lista, mas a direcção é clara. Quando a IA responde a "qual é a melhor loja de ténis de trail em Lisboa", escolhe a partir dos dados que a loja lhe deu: título, descrição, atributos, preço, stock e avaliações. Uma ficha de produto incompleta é invisível para este tipo de pesquisa, mesmo que a loja apareça bem nos resultados clássicos.
2. Anúncios dentro do ChatGPT, com ligação ao HubSpot e ao Shopify
A 16 de Setembro a OpenAI lançou ferramentas de gestão de anúncios no ChatGPT, com integrações com o HubSpot e o Shopify, e começou a testar em alfa os "agentes patrocinados": depois de clicar num anúncio, o utilizador pode conversar directamente com a empresa dentro do ChatGPT. A aplicação para o Shopify está por enquanto limitada aos Estados Unidos.
Isto não é ainda um canal para a maioria das PME portuguesas, mas mostra para onde vai o orçamento de publicidade nos próximos dois anos. Quem já tem o catálogo, os contactos e o funil de vendas organizados numa plataforma vai ligar-se a estes canais em minutos. Quem tem tudo em folhas de cálculo vai demorar meses.
3. Os assistentes já se ligam ao site e ao gestor de clientes
A 23 de Setembro o Google anunciou ligações do Gemini a ferramentas como o Airtable, o Linear, o monday.com, o PandaDoc, a Adobe, o Squarespace e o Webflow. Duas semanas antes, o HubSpot tinha alargado os seus conectores para o ChatGPT e o Claude a contactos, empresas, negócios, pedidos de suporte, notas, tarefas e reuniões, e acrescentou um conector para o Gemini.
Na prática, um assistente de IA já consegue ler a lista de contactos, escrever a proposta, actualizar uma página do site e marcar a reunião, tudo a partir de um pedido em português. O valor está em ter estes sistemas ligados entre si e com permissões bem definidas. Um assistente com acesso a tudo e sem revisão humana é um risco, não uma poupança.
4. Os GPTs personalizados acabam a 11 de Dezembro
Muitas empresas criaram "GPTs" à medida nos últimos dois anos para atendimento, redacção ou apoio interno. A OpenAI anunciou a 11 de Setembro que os vai retirar a 11 de Dezembro de 2026. A partir de 26 de Outubro deixa de ser possível criar novos. O caminho de substituição são os plugins: as instruções passam a uma competência, os ficheiros de conhecimento passam a ficheiros de referência, mas as acções personalizadas (as ligações a APIs externas) não são migradas.
A lição vale para qualquer plataforma: o que se constrói dentro da ferramenta de outra empresa vive ao ritmo dessa empresa. O conhecimento, os textos e as regras de negócio devem ficar em ficheiros seus, fáceis de mover para o próximo sistema.
5. Amália, o modelo português, entra na segunda fase
O Governo aprovou a 9 de Setembro um reforço de 1,8 milhões de euros do PRR para o Amália, o modelo de linguagem treinado para o português europeu, e publicou o diploma em Diário da República a 15 de Setembro. O custo total do projecto passa a 7,3 milhões de euros. Até ao final de 2026 o modelo deve ganhar "ferramentas de agentificação" e treino em imagem e fala, com o objectivo declarado de deixar de ser um protótipo e passar a integrar o atendimento aos cidadãos nos serviços do Estado.
Para as empresas, o interesse é duplo. Um modelo que domina o português de Portugal, com os seus termos legais e administrativos, é melhor matéria-prima para atendimento e conteúdo do que um modelo generalista. E um Estado que atende por agentes vai empurrar fornecedores e clientes para o mesmo tipo de interacção.
O que fazer no site e na loja antes do fim do ano
- Dados estruturados em todas as páginas. Empresa, morada, horário, artigos, produtos e perguntas frequentes em JSON-LD. É a forma mais barata de dizer à IA quem é a empresa, o que vende e a quem.
- Fichas de produto completas. Título claro, descrição própria, atributos (material, tamanho, cor, compatibilidade), preço com IVA, stock e imagens com texto alternativo. Os atributos em falta são exactamente o que o novo relatório do Google aponta.
- Conteúdo próprio, com respostas directas. As respostas de IA citam páginas que respondem a uma pergunta concreta em poucas frases. Uma página de preços, uma de perguntas frequentes e um artigo por dúvida comum valem mais do que um texto institucional longo.
- Sistemas ligados, mas com permissões. O gestor de clientes, o site e a facturação devem falar entre si por API. Antes de dar acesso a um assistente, definir o que pode ler, o que pode escrever e o que exige aprovação.
- Nada crítico preso a uma só plataforma. Instruções, textos e regras em ficheiros seus. Se um serviço acabar, como os GPTs em Dezembro, a mudança demora dias e não meses.
- Medir o tráfego que vem da IA. No Google Analytics, separar as visitas com origem em chatgpt.com, gemini.google.com, perplexity.ai e afins. É o único modo de saber se o trabalho acima está a dar resultado.
Em resumo
A pesquisa por IA não substitui o site: alimenta-se dele. Um site rápido, com dados estruturados, fichas completas e conteúdo que responde a perguntas reais é o que a IA consegue ler e recomendar. É também o que continua a funcionar no Google clássico, nas redes sociais e no WhatsApp. Se quer saber como está o seu site para esta nova pesquisa, peça uma análise gratuita. Respondemos em 48 horas.